Eram rígidas as regras, as filas, as esperas, as vésperas, as sombras das colunas e dos altares. 
E no entanto os pássaros voavam e os bolsos da bata sufocavam de tantas castanhas cruas. Roíamo-las a rir sempre que o sino da torre badalava um canto.



Collar de Anna Niemioc










Chegava outubro e eu com medo da escola. Os plátanos ladeavam o caminho da ida e acalmavam-me o caminho de volta. Dos pássaros, não me recordo.
Eu gostava dos contos, ela, das contas. Eu distraía-me com o vento lá fora. Ela concentrava-se a dissecar caracóis e minhocas.
A infância é um barco de papel a navegar sem âncora.


Sisters de Alicjia O'Sullivan













Era redondo o mês de agosto. Como a curva do horizonte, o lago dos peixes no parque, o ringue para jogar ao mata, mato eu, tu não. Era eterno também.
Só muito depois demos conta das raízes secas das videiras e da embriaguez patética dos homens à porta das tabernas ao entardecer.



… fotografia de Alicjia O’Sullivan










Não escrevo mais, disse a rapariga. Guardou a caneta, fechou o caderno quadriculado e arrumou-o na prateleira da estante. Os livros agitaram-se um pouco e sussurraram-lhe, vais arrepender-te. A rapariga gritou, calem-se, e pegando na máquina fotográfica foi registando o pó da sala e os círculos de luz e sombra na madeira dos móveis. Depois saiu para a rua e observou todas as coisas objectivamente.



M. de Svetlana Bekyarova











Once upon a time, a little, little bird, was singing in the sunshine and then came the cat and asked him, why are you so happy little, little bird singing in a branch of a big tree?
I’m a bird, said he.

Meow, replied the cat, and went away looking for a fish in the blue lake in that shiny, bright day. And the little, little bird, whistled to the day, the cat, the lake, the fish, the branch and the big tree. I'm a bird, said he.


fotografia The little bird with the long tail de Allan Wallberg












E a rapariga perguntou, emprestas-me a tua cauda para eu fazer um vestido rodado, plissado, que me faça voar. O peixe olhou-a, abriu a boca, soltou quatro bolhas de ar e escondeu-se atrás de uma rocha verde-esmeralda. A rapariga não desistiu e todos os dias encontrava-se com o peixe de cauda de flor e o peixe de tanto a ouvir deixou-se cativar. 
Uma tarde ela ganhou coragem e esquecendo o vestido rodado e plissado, mergulhou. São agora dois os peixes e uma rocha verde-esmeralda no fundo do mar.


The Flower of tail de Andi Halil